
Todos os dias passo pela Central do Brasil, a tão famosa estação ferroviária, e por seus arredores. É muito interessante ver a grande mistura de classes que passa por ali. Claro que se tratando de uma estação de trem, próxima à favela e à uma rodoviária cujos ônibus dão acesso à Baixada Fluminense e lugares próximos, a predominância é de gente humilde, simples, pobre, muitas vezes gente miserável, vivendo sob condições bastante restritas. Essas pessoas que estão ali vendendo balas e outras coisas, chamando passageiros para as vans, tentando vender seus vales-transporte ou simplesmente tomando uma pinga no boteco, ouvindo um forró ou funk, estão sempre alegres, com um ar de quem não precisa mais nada para ser feliz.
Há algum tempo venho reparando que a felicidade, muitas vezes, anda atrelada a simplicidade. Penso que quanto menos se espera da vida, ou talvez, quanto mais se ignora as coisas melhores ( E aí eu falo de tudo e qualquer coisa, como moradia, companhia, comida... ), mais fácil é ser feliz.
Refletindo sobre isso, comecei a traçar um paralelo com minha vida e foi inevitável chegar ao sentimento de que "eu era feliz e não sabia!". Essa frase tão usada muitas vezes para expressar um arrependimento por ter deixado para trás algo ou alguma situação que não nos satisfazia cabe bem aqui.
Não que eu não seja feliz, pelo contrário! Gosto muito da minha vida, só tenho a agradecer pelas coisas que me acontecem, mesmo com os problemas, obstáculos e vicissitudes que estão linkados à ela. Mas as vezes dá uma "vontadinha" de ter uma vida mais simples, sem muitas cobranças dos outros e de mim mesma. Acho que é por isso que as crianças são tão felizes, porque não se cobram e encaram a vida com um olhar ingênuo, inocente e até mesmo ignorante do que vem depois...Afinal sou eu quem mais dificulta a estrada que percorro nessa vida querendo sempre mais, mais do que eu tenho, mais do que eu posso ter... Como diz aquela música "...Eu quero sempre maaaaais..." Claro que é isso que me move, que move todos nós. Que moveu o mundo e o fez e fez como o vemos hoje. Mas será que nessa sede de crescer, conhecer, ter mais, ser mais, não estamos deixando algo importante para trás?
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